Indicador que ninguém usa é relatório, não indicador
Cobertura de homologação, backlog, bugs em produção, sobrecarga do time. Quatro números, uma pergunta cada.
A maior parte dos dashboards de qualidade mede o que é fácil de contar. Os úteis medem aquilo pelo que alguém está disposto a mudar a própria semana.
Eu mantenho quatro, e cada um precisa responder a uma pergunta que tem dono.
Cobertura de homologação
Qual fatia do que subiu foi de fato homologada? Não "testada em algum momento" — homologada, por alguém responsável. Quando esse número cai, a pergunta não é "quem falhou": é quais demandas passaram sem capacidade amarrada nelas.
Backlog
Não o tamanho. A idade. Um backlog de quarenta itens onde nada tem mais de duas semanas é saudável. Um de doze onde quatro esperam desde março é problema de priorização fantasiado de capacidade.
Bugs em produção
Contados por onde foram introduzidos, não por quem encontrou. Um bug que volta para um requisito ambíguo e um bug que volta para um caso de teste que faltou são dois problemas diferentes, e só um deles se resolve testando mais.
Sobrecarga do time
Horas, mas principalmente concentração: quanto da fila depende das duas pessoas que conhecem os fluxos mais difíceis. É o número que prevê os outros três com dois meses de antecedência.
A regra
Se um número se mexe e a semana de ninguém muda, é relatório. Pare de publicar e devolva o tempo — um painel com quatro números vivos vale mais do que um com doze que todo mundo rola para baixo.