Eu me formei em engenharia ambiental. Depois mudei tudo.
Bragança, Valladolid, uma rede de telecom e a descoberta lenta de que o método viajava melhor que o assunto.
Eu não planejei isso. Me formei em engenharia ambiental, fui para Portugal fazer mestrado, passei um ano de Erasmus em Valladolid construindo sensores enzimáticos potenciométricos e rodei estatística multivariada em extratos de resíduo de uva.
Hoje eu lidero qualidade numa fintech. No papel, não existe linha ligando esses dois pontos.
O que de fato se transferiu
Não a química. O método: definir o que você está medindo antes de medir, conhecer o seu erro, desconfiar de resultado limpo e nunca confundir o modelo com a coisa.
É exatamente a postura de que uma área de qualidade precisa. Boa parte do que parece conhecimento de domínio em software é essa postura aplicada a outro assunto.
Os anos de engenharia de redes
Dois anos numa operadora de telecom em Bragança me ensinaram algo que o laboratório não ensinou: sistema no ar não é a mesma coisa que sistema funcionando, e é no vão entre os dois que mora toda disciplina operacional.
Trocar de área custa mais do que as pessoas admitem
Por cerca de um ano eu fui visivelmente a pessoa que menos sabia na maioria das salas. Não dá para encurtar isso, e o conselho de "use a sua visão de fora" costuma ser dado por quem já está do outro lado.
O que ajudou foi estreito: escolha uma coisa que o time faz mal e que a sua área antiga faz bem, e seja útil ali primeiro.
Faria de novo
Faria, e mais cedo. A parte cara não foi a mudança. Foram os dois anos que passei convencida de que o diploma que eu já tinha pago era um argumento para ficar.